Courmayeur: o que fazer no vale e a etapa italiana do Tour du Mont Blanc
Courmayeur é o lado italiano do maciço, a onze quilômetros de túnel de Chamonix. O guia do verão: os dois vales, a varanda do Val Ferret de frente para as Grandes Jorasses e a etapa italiana do circuito.
Courmayeur é a cidade italiana aos pés do Monte Branco, a 1.224 metros de altitude, no Vale de Aosta, e é o outro lado do maciço mais famoso dos Alpes: onze quilômetros de túnel a separam de Chamonix, na França. É a base italiana do circuito que dá a volta na montanha, e a cidade onde quem caminha dorme no meio do caminho.
Quem procura Courmayeur em português encontra estação de esqui e pacote de inverno. Este guia é da outra temporada, quando os dois vales que saem da cidade viram a etapa mais fotografada do Tour du Mont Blanc, com a parede das Grandes Jorasses do outro lado do vale.
Onde fica, e por que ela é o outro lado do maciço
Courmayeur fica no extremo noroeste da Itália, no Vale de Aosta, encostada nas fronteiras com França e Suíça. O maciço do Monte Branco fica a norte dela, e a montanha que em Chamonix se vê de perfil aqui se vê de frente, com as paredes e as geleiras do lado italiano.
A ligação com a França é o túnel do Mont Blanc, cerca de 11,6 quilômetros por dentro da montanha, com ônibus de linha atravessando em menos de uma hora entre as duas cidades. Essa proximidade é o que faz das duas um par: mesmo maciço, dois países, duas culturas de montanha, e a possibilidade de trocar de lado num dia de tempo fechado.
Os dois vales: Val Veny e Val Ferret
Toda a caminhada de Courmayeur se organiza em dois vales que saem da cidade em direções opostas, os dois de frente para o maciço. O Val Veny abre a sudoeste, é mais selvagem e recebe quem chega da França pelo Col de la Seigne. O Val Ferret abre a nordeste, é mais aberto e pastoril, e é por ele que se sai da Itália rumo à Suíça.
Os dois têm estrada de fundo de vale com ônibus de temporada, o que muda o planejamento: dá para caminhar um trecho e voltar de ônibus, sem precisar fechar o circuito a pé. É a rede de fuga da região, e o que torna as etapas ajustáveis.
A etapa italiana do Tour du Mont Blanc

O Tour du Mont Blanc entra na Itália pelo Col de la Seigne, a 2.516 metros, e desce o Val Veny passando pelo Rifugio Elisabetta, com a geleira do Miage à vista. O vale desce até Courmayeur, que é o ponto mais baixo dessa parte do circuito e a parada onde se lava roupa, se come uma refeição de cidade e se dorme em cama de hotel.
De Courmayeur o caminho sobe de novo, agora pelo outro lado: alcança o Rifugio Bertone na encosta acima da cidade, atravessa a meia altura até o Rifugio Bonatti e desce ao fundo do Val Ferret. Dali é o Grand Col Ferret, a 2.537 metros, o ponto mais alto do circuito, e a fronteira com a Suíça.
A varanda do Val Ferret
O trecho entre Bertone e Bonatti é o que faz a fama da etapa italiana. A trilha corre em meia encosta, quase plana por horas, e do outro lado do vale fica a face sul do maciço inteiro: as Grandes Jorasses, com 4.208 metros, o Dente del Gigante e as geleiras que descem entre eles.
É a etapa em que a montanha fica exposta o tempo todo, sem floresta na frente, e é a razão pela qual muita gente que faz o circuito diz que o lado italiano é o mais bonito. Caminhar do leste para o oeste, aqui, é caminhar de frente para a parede.
A Skyway Monte Bianco
Para quem quer alta montanha sem caminhar dias, a Skyway Monte Bianco sai de Pontal d’Entrèves, ao lado de Courmayeur, e sobe em duas seções até o Pontal Helbronner, a 3.466 metros, com cabines que giram durante a subida. Lá em cima é geleira, rocha e vista para os cumes de quatro mil metros de três países.
Para quem caminha, ela é atalho e é plano B: um dia de tempo instável na trilha vira um dia de mirante. Quando opera, há também a travessia panorâmica por cima da geleira até a Aiguille du Midi, já do lado francês, que liga os dois vales pelo alto em vez de pelo túnel.
O que fazer no verão, além de caminhar
- Comer valdostano: a região tem cozinha de montanha própria, com queijo fontina, polenta e embutidos de altitude. É comida de vale, não de resort.
- Termas de Pré-Saint-Didier: a poucos quilômetros da cidade, é o destino clássico do dia de descanso ou do dia seguinte à travessia.
- Ciclismo: os colos do Vale de Aosta são passagem histórica de corrida, e no verão se enchem de quem sobe por conta própria.
- Aosta: a capital da região, a menos de uma hora, é uma cidade romana com arco, teatro e muralha de pé.
- Vilarejos do vale: Entrèves e as aldeias de pedra do Val Ferret continuam habitadas, com casas de teto de lousa e igrejas de vale.
Courmayeur ou Chamonix: onde dormir
Chamonix é maior, mais barulhenta e mais equipada: é a capital do alpinismo, tem mais teleférico em operação, mais loja de montanha e mais opção de transporte. Se a viagem é de base fixa, com um passeio diferente por dia, ela resolve mais coisa.
Courmayeur é menor, mais italiana e mais tranquila, com um centro de pedestres que se atravessa a pé em dez minutos. Se o que se quer é dormir de frente para a face sul do maciço, comer melhor e ter os dois vales na porta, ela ganha. Para quem faz o circuito, a escolha não existe: passa-se pelas duas.
Quando ir
A temporada de caminhada vai de meados de junho a meados de setembro, com os refúgios abertos e os colos livres de neve a partir de julho. Julho e agosto são o pico, com o vale cheio e a reserva difícil; o começo de setembro entrega trilha vazia, e é quando a luz fica melhor na parede das Jorasses.
De dezembro a abril, Courmayeur é esqui, e é essa a versão que aparece na maior parte das buscas. É outra viagem, com outro preço e outra logística, e não é o assunto deste guia.
Como chegar
As portas de entrada são Genebra, na Suíça, e Milão e Turim, na Itália. De Genebra são cerca de duas horas de traslado rodoviário pelo túnel; de Milão e de Turim, entre duas e três horas por estrada, com ônibus de linha até Aosta e Courmayeur. Vindo de Chamonix, o ônibus pelo túnel resolve em menos de uma hora.
Na região, carro é conveniência e não necessidade: os dois vales têm ônibus de temporada, e o circuito se faz a pé por definição.
E o resto da cordilheira
Courmayeur é uma porta de entrada do lado italiano, não a única. Os Alpes franceses são o outro lado deste mesmo maciço, e os Alpes suíços são o terceiro país do circuito. Mais a leste, na mesma Itália, as Dolomitas são outra montanha: calcário vertical em vez de granito e geleira, com uma rede de refúgios ainda mais densa.
Como o Mountain Hut organiza a travessia que passa por Courmayeur
Nosso Tour du Mont Blanc são dez dias e nove noites, de Les Houches a Les Houches, e Courmayeur é a parada do meio do caminho: cama de hotel, refeição de cidade e o reencontro com a bagagem, que é transportada entre as etapas. Depois dela vem a varanda do Val Ferret e a passagem para a Suíça.
É uma travessia auto guiada: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks de GPS, e a gente resolve a corrente de reservas dos refúgios, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho. Os dias, os desníveis e as datas estão em roteiros do Mountain Hut.
Perguntas frequentes
Onde fica Courmayeur?
No extremo noroeste da Itália, no Vale de Aosta, a 1.224 metros de altitude, aos pés do maciço do Monte Branco e encostada nas fronteiras com França e Suíça. De Chamonix, na França, são cerca de 11,6 quilômetros de túnel.
O que fazer em Courmayeur no verão?
Caminhar nos dois vales que saem da cidade, o Val Veny e o Val Ferret, com a varanda entre os refúgios Bertone e Bonatti como trecho mais conhecido. Além disso: subir a Skyway Monte Bianco até 3.466 metros, as termas de Pré-Saint-Didier, o ciclismo pelos colos do Vale de Aosta, a cozinha valdostana e a cidade romana de Aosta.
Courmayeur ou Chamonix: qual escolher?
Chamonix é maior e mais equipada, com mais teleférico em operação, mais loja de montanha e mais transporte: resolve melhor uma viagem de base fixa. Courmayeur é menor, mais tranquila e mais italiana, com os dois vales na porta e a face sul do maciço na frente. Quem faz o Tour du Mont Blanc passa pelas duas.
Como ir de Chamonix a Courmayeur?
Pelo túnel do Mont Blanc, com ônibus de linha atravessando em menos de uma hora entre as duas cidades. Quando opera, há também a travessia panorâmica de teleférico por cima da geleira, ligando o Pontal Helbronner à Aiguille du Midi.
Vale subir a Skyway Monte Bianco?
Vale, e por dois motivos. Para quem não caminha dias, é o acesso à alta montanha em cabines que giram na subida, até 3.466 metros de geleira e rocha. Para quem caminha, é o plano B de um dia de tempo instável, quando a trilha alta não compensa.
Qual a melhor época para visitar Courmayeur?
Para caminhar, de meados de junho a meados de setembro, com os colos livres de neve a partir de julho e os refúgios abertos. Julho e agosto são o pico, com reserva difícil; o começo de setembro entrega trilha vazia e luz melhor. De dezembro a abril a cidade é esqui, que é outra viagem.
Courmayeur faz parte do Tour du Mont Blanc?
Faz, e é a maior parada do circuito. O caminho entra na Itália pelo Col de la Seigne, a 2.516 metros, desce o Val Veny até Courmayeur, que é o ponto mais baixo desse trecho, e depois sobe ao Rifugio Bertone para atravessar o Val Ferret até o Grand Col Ferret, a 2.537 metros, já na fronteira suíça.