Alpes suíços: as regiões, as cidades-base e o verão a pé
Os Alpes suíços não são um lugar, são regiões: Valais, Oberland Bernês, o Vale de Ferret e os Grisões. O guia da temporada de verão, quando a neve sai das trilhas e o país vira rede de caminhos.
Os Alpes suíços são o trecho suíço da cordilheira alpina, e ocupam cerca de 60% do território do país: começam no Valais e no Oberland Bernês, a oeste, e vão até os Grisões e a Engadina, a leste. É onde está o Matterhorn, com 4.478 metros, e o Dufourspitze, com 4.634, o ponto mais alto da Suíça.
Só que, como do lado francês, “Alpes suíços” não é um lugar: são regiões com caráter próprio, cada uma com seu vale de acesso. E a versão que aparece em quase toda busca em português é a do inverno, de estação e de pacote. Este guia é da outra temporada, o verão, quando a neve sai das trilhas e o país vira a rede de caminhos mais bem sinalizada da Europa.
As regiões que importam para quem caminha

- Valais: a mais alta e a mais glaciária, no sul. É onde ficam o Matterhorn e o maciço do Monte Rosa, com o Dufourspitze. Vale-base: Zermatt, que não recebe carro.
- Oberland Bernês: o coração do cartão-postal suíço, com a parede do Eiger, o Mönch e a Jungfrau em cima de dois vales fundos. Vale-base: Grindelwald, Lauterbrunnen e Interlaken.
- Vale de Ferret e Bas-Valais: o canto sudoeste, colado na França e na Itália. É pequeno, é discreto, e é por onde o Tour du Mont Blanc atravessa a Suíça. Vale-base: Champex-Lac e La Fouly.
- Grisões e Engadina: o leste, mais seco, com vales mais altos e menos visitado por brasileiro. Tem o único parque nacional do país. Vale-base: Pontresina e St. Moritz.
As cidades-base
Zermatt é a mais famosa e a mais prática: não entra carro, chega-se de trem, e dela saem os teleféricos e a ferrovia de montanha que levam a mirantes acima dos 3.000 metros, com o Matterhorn na frente. Grindelwald e Lauterbrunnen são as duas portas do Oberland, uma de frente para a parede do Eiger e a outra num vale de paredes verticais e dezenas de cachoeiras.
Interlaken, entre dois lagos, é a base logística da região: boa para dormir e sair de trem todos os dias, sem trocar de hotel. E Champex-Lac, pequena e fora do roteiro turístico, é etapa do Tour du Mont Blanc, o que faz dela a base mais provável de quem chega à Suíça a pé.
Verão e inverno: as duas temporadas
De dezembro a abril, os Alpes suíços são esqui, e é essa a versão que domina a busca em português. De meados de junho a meados de setembro a montanha é outra: a neve sai das trilhas, os colos altos liberam em julho, as cabanes abrem com meia-pensão e os teleféricos que funcionam no verão viram atalho de caminhada.
A janela é curta e tem hierarquia. Julho e agosto entregam tudo aberto, e também o maior movimento. O começo de setembro entrega trilha vazia e luz melhor, com a ressalva de conferir a data de fechamento das cabanes. Junho é verde e bonito nos vales, mas ainda pode ter neve nos colos, e é o colo que decide se a etapa acontece.
O trem chega alto, e isso muda a viagem
É aqui que a Suíça se separa do resto da cordilheira. A rede ferroviária é densa e pontual, e chega a lugares que em outro país exigiriam carro. Onde o trem para, o ônibus postal amarelo continua, com horário publicado, até a cabeceira do vale. Há ferrovia de montanha que termina acima de 3.000 metros, e a estação de trem mais alta da Europa fica no Jungfraujoch, a 3.454 metros.
O efeito prático é duplo. Você não precisa de carro em nenhum momento da viagem. E a alta montanha fica acessível a quem não caminha o dia inteiro: sobe de trem, anda o trecho que quiser e desce por outro vale. Para quem faz travessia, essa mesma rede é a saída de emergência, porque quase toda etapa termina perto de um transporte.
As placas amarelas, e o que elas dizem
A sinalização suíça é uma instituição, e entender o código economiza erro de planejamento. As placas amarelas mostram o destino e o tempo de caminhada em horas e minutos, não a distância, porque em montanha hora diz mais que quilômetro. São cerca de 65.000 quilômetros de caminho sinalizado no país.
As cores dizem o terreno. Amarelo é caminho de vale, largo e sem exposição. Branco, vermelho e branco é trilha de montanha: pode ter trecho estreito e pedra solta, e pede pé firme. Branco, azul e branco é rota alpina, com neve, geleira ou trecho equipado, e não é para quem está começando. Ler a marca antes de sair resolve a maior parte das surpresas.
O trecho suíço do Tour du Mont Blanc
O circuito mais conhecido dos Alpes passa três dias em território suíço, e é a maneira mais direta de conhecer esse lado caminhando. Vindo da Itália, o Tour du Mont Blanc cruza a fronteira no Grand Col Ferret, a 2.537 metros, que é o ponto mais alto do circuito, e desce o Val Ferret suíço até La Fouly.
Depois vem Champex-Lac, e a etapa seguinte tem duas versões que dividem quem caminha: a Fenêtre d’Arpette, mais alta e mais dura, ou o Alp Bovine, mais suave e o escolhido quando o tempo fecha. As duas terminam em Trient, e de lá o caminho volta à França pelo Col de Balme.
As grandes travessias
A travessia clássica que é suíça de ponta a ponta é a Haute Route, que liga Chamonix a Zermatt em cerca de duas semanas por uma linha mais alta e mais exigente que a do Tour du Mont Blanc, dormindo em cabane. É a travessia que se faz depois, não a primeira.
Para atravessar o país, a Via Alpina corta a Suíça de leste a oeste em cerca de vinte etapas, cruzando um colo e trocando de vale quase todos os dias. E há o Tour du Mont Blanc, que não é suíço, mas passa por lá: para quem vem do Brasil, ele costuma ser a porta de entrada da caminhada alpina, porque resolve França, Itália e Suíça em um só circuito.
Dormir em cabane
O refúgio suíço se chama cabane em francês e Hütte em alemão, e boa parte da rede pertence ao Clube Alpino Suíço. O funcionamento é o de sempre na montanha: jantar e café da manhã em horário fixo, dormitório coletivo, saco-lençol na mochila e reserva com antecedência, porque as casas das etapas clássicas esgotam meses antes.
É o que permite caminhar dias seguidos sem carregar barraca nem comida, e é também o que separa a viagem de montanha do passeio de teleférico. Em terreno suíço isso pesa mais do que em outros: a cabane costuma ser o único teto entre um vale e o outro.
O que encarece, e o que segura o custo
Não há jeito bonito de dizer: a Suíça é o pedaço mais caro da cordilheira, e é honesto avisar antes de alguém comprar a passagem. O que encarece é comer fora todos os dias, dormir em hotel de vale e comprar transporte solto, bilhete por bilhete.
O que segura o custo é o formato da travessia. Cabane com meia-pensão fecha cama, jantar e café da manhã num preço só. Passe de transporte compensa a partir de poucos dias de uso. Mercado no vale resolve o almoço da trilha, que é o que se come na maior parte dos dias. E setembro custa menos que agosto, com a montanha em melhor estado.
Como chegar
As portas de entrada são Zurique e Genebra, as duas com voo direto do Brasil e as duas com estação de trem dentro do aeroporto. De Genebra se chega ao Valais e ao Vale de Ferret; de Zurique, ao Oberland Bernês. Nos dois casos são poucas horas de trem, com uma ou duas trocas, e nenhuma necessidade de alugar carro depois.
E os outros Alpes
Vale saber o que está do outro lado antes de escolher. Os Alpes franceses têm o maciço do Mont Blanc, a cultura alpinista de Chamonix e preço mais baixo. As Dolomitas, na Itália, são outra rocha: torres e paredes verticais de calcário, com uma rede de refúgios ainda mais densa. Os suíços são os mais organizados e os mais caros. São três viagens distintas, e não três versões da mesma.
Como o Mountain Hut organiza uma travessia que passa pela Suíça
Nosso Tour du Mont Blanc são dez dias e nove noites, de Les Houches a Les Houches, com três dias em terreno suíço, hospedagem encadeada e transporte de bagagem entre as etapas. É auto guiado: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks de GPS, e a gente resolve a corrente de reservas, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho.
Se quiser ver os dias, os desníveis e as datas, os roteiros estão em roteiros do Mountain Hut. E se o que está pesando é o preparo, comece por como se preparar para uma trilha de vários dias.
Perguntas frequentes
Onde ficam os Alpes suíços?
É o trecho suíço da cordilheira alpina, que ocupa cerca de 60% do território do país, do Valais e do Oberland Bernês, no oeste, até os Grisões e a Engadina, no leste. É onde está o Matterhorn, com 4.478 metros, e o Dufourspitze, com 4.634 metros, o ponto mais alto da Suíça.
Qual a melhor época para visitar os Alpes suíços?
Para caminhar, de meados de junho a meados de setembro, quando a neve sai das trilhas e as cabanes abrem. Os colos altos costumam liberar em julho. Julho e agosto têm tudo aberto e o maior movimento; o começo de setembro entrega trilha vazia e luz melhor, com a ressalva de conferir a data de fechamento das casas. De dezembro a abril a região é esqui, com as trilhas altas inacessíveis.
O que fazer nos Alpes suíços no verão?
Caminhar é o eixo, das trilhas de vale às travessias de cabane em cabane, com cerca de 65.000 quilômetros de caminho sinalizado no país. Além disso: subir de trem e de teleférico aos mirantes altos, os lagos de vale, o ciclismo de montanha e os vilarejos de madeira, que continuam habitados fora da temporada de esqui.
Quais são as principais cidades dos Alpes suíços?
Zermatt, no Valais, aos pés do Matterhorn e sem carro; Grindelwald e Lauterbrunnen, as duas portas do Oberland Bernês; Interlaken, entre dois lagos, como base logística da região; e Champex-Lac, pequena, que é etapa do Tour du Mont Blanc.
Dá para caminhar nos Alpes suíços sem experiência?
Dá, e a sinalização ajuda: placa amarela é caminho de vale, sem exposição; branco, vermelho e branco é trilha de montanha, que pede pé firme; branco, azul e branco é rota alpina, que não é para quem está começando. Com trem e teleférico, há caminhada de meio dia em alta montanha acessível a qualquer pessoa com disposição. Para travessia de vários dias, o que se pede é preparo específico de descida, carga e dias consecutivos.
Os Alpes suíços são muito caros?
São o pedaço mais caro da cordilheira. O que encarece é comer fora todos os dias, dormir em hotel de vale e comprar transporte bilhete por bilhete. O que segura o custo é o formato da travessia: cabane com meia-pensão fecha cama, jantar e café da manhã num preço só, passe de transporte compensa a partir de poucos dias, e setembro custa menos que agosto.
Qual a diferença entre os Alpes suíços, os franceses e os italianos?
São montanhas diferentes na mesma cordilheira. Os suíços são os mais organizados e os mais caros, com trem chegando alto. Os franceses têm o maciço do Mont Blanc e a cultura alpinista de Chamonix, com preço mais baixo. Os italianos incluem as Dolomitas, de torres e paredes verticais de calcário. São três viagens distintas.