Zermatt: a vila sem carro sob o Matterhorn
A vila está a 1.620 metros, não tem carro a combustão e tem o Matterhorn no fim da rua. O que se caminha a partir dela, e qual subida vale.
Zermatt é uma vila do cantão do Valais, no sul da Suíça, a cerca de 1.620 metros de altitude, no fundo de um vale sem saída. Ela é conhecida por duas coisas: a montanha que aparece no fim da rua principal, o Matterhorn, com 4.478 metros e a silhueta mais reconhecível dos Alpes, e o fato de não haver carro a combustão dentro dela.
Quem procura Zermatt em português encontra pacote de esqui e foto do pôr do sol na pirâmide. Este guia é da temporada de caminhar: o que dá para fazer a pé a partir da vila, quais subidas mecânicas valem, e onde Zermatt entra numa viagem de trilha nos Alpes.
A vila sem carro, e o que isso muda
Zermatt proíbe veículos a combustão desde muito antes de isso virar tendência. Quem chega de carro para em Täsch, o vilarejo anterior, deixa o veículo no estacionamento e pega um trem de cerca de doze minutos. Dentro da vila circulam carrinhos elétricos, bicicletas e pedestres.
O efeito prático é maior do que parece. Sem trânsito, a vila fica silenciosa a ponto de se ouvir o rio, e o deslocamento até o teleférico se faz a pé em minutos. É também o motivo de a chegada ser mais lenta que a de outros destinos alpinos: o último trecho é sempre de trem, venha você de onde vier.
O Matterhorn, e por que ele parece maior do que é
O Matterhorn, que em italiano é o Cervino, tem 4.478 metros. Não é a montanha mais alta da Suíça, título do Dufourspitze, no maciço do Monte Rosa, com 4.634 metros e visível da mesma vila. O que faz do Matterhorn a montanha mais fotografada do mundo é a forma: uma pirâmide de quatro faces isolada, sem cume vizinho para dividir a atenção.
Ele aparece de quase todo ponto do vale, e é isso que sustenta a caminhada em Zermatt: aqui não existe trilha com vista ruim. A questão é escolher o ângulo e a altitude, e para isso a vila tem três subidas mecânicas, cada uma abrindo uma encosta.
As três subidas, e o que cada uma abre
Gornergrat é um trem cremalheira que sobe até 3.089 metros, num trajeto de cerca de trinta minutos com o Matterhorn de um lado o tempo todo. Lá em cima, a vista é para a geleira do Gorner e para o maciço do Monte Rosa. É a subida mais clássica e a que mais entrega para quem tem um dia só.
Sunnegga e Rothorn abrem a encosta oposta, ensolarada, que é onde estão os lagos. É a partir dali que sai a caminhada mais conhecida da região.
Matterhorn Glacier Paradise sobe a 3.883 metros e é a estação de teleférico mais alta da Europa. Entrega alta montanha de geleira sem esforço nenhum, e cobra por isso: é cara, é fria em qualquer mês do ano e não tem caminhada de verdade em cima. Vale para quem quer pisar em neve no verão, não para quem veio andar.
A caminhada dos cinco lagos

O Caminho dos Cinco Lagos é a trilha que resume Zermatt. São cerca de dez quilômetros em quatro a cinco horas, quase todo em descida, ligando cinco lagos de altitude entre Blauherd e Sunnegga, com o Matterhorn presente do começo ao fim.
O detalhe que quase ninguém conta antes: dos cinco lagos, apenas alguns refletem a montanha, e o reflexo depende de o dia estar sem vento. O primeiro deles, logo no início do percurso, é o mais conhecido e é onde a foto acontece. Se o vento estiver forte, a caminhada continua bonita e o espelho não aparece, e isso não é problema do lugar: é como funciona.
A trilha não exige preparo específico, mas exige o básico de qualquer caminhada de altitude: água, proteção solar, casaco de vento e disposição para quatro horas de pé. O que levar está em o que levar em um trekking.
Quando ir
A janela de caminhada em Zermatt vai de meados de junho a meados de outubro, um pouco mais longa que a de outras regiões alpinas porque o vale é seco e ensolarado. Julho e agosto entregam tudo aberto, com mais gente. Setembro é o mês de melhor equilíbrio, e a primeira metade de outubro ainda funciona nas trilhas médias, com os teleféricos altos começando a fechar.
Vale lembrar que a altitude aqui é maior que a média alpina: caminhar entre 2.500 e 3.100 metros é rotina em Zermatt. Não é altitude de risco para a maioria das pessoas, mas o esforço é maior que no mesmo percurso quinhentos metros abaixo, e quem chega de avião no dia anterior sente. O assunto está em mal da altitude.
Onde dormir, e por que isso pesa aqui
Zermatt é cara, e não adianta contornar: é uma vila fechada num vale sem saída, com tudo o que entra chegando de trem. Hospedagem, comida e teleférico custam acima da média suíça, que já é a média mais alta dos Alpes.
Duas saídas funcionam. A primeira é dormir em Täsch, o vilarejo do estacionamento, a doze minutos de trem, onde a diária costuma ser sensivelmente menor. A segunda é encurtar a estadia: Zermatt entrega muito em dois ou três dias cheios, e esticar para uma semana raramente acrescenta paisagem nova, ao contrário de regiões com mais vales laterais.
Vale ainda considerar os cartões de transporte e os passes de teleférico com validade de dias, que mudam bastante a conta de quem vai subir mais de uma vez. As regras variam por temporada e por isso não entram aqui com número.
Zermatt como fim de travessia
Zermatt tem um papel que quase nenhum destino alpino tem: ela é ponto final. A travessia clássica que liga Chamonix a Zermatt, conhecida como Haute Route, termina exatamente aqui, e chegar a pé numa vila com o Matterhorn de frente depois de quase duas semanas caminhando é uma das grandes chegadas dos Alpes.
É uma travessia mais longa e mais exigente que o Tour du Mont Blanc, e não é o primeiro trekking de ninguém. O detalhamento está em Haute Route, e a comparação com a travessia por onde quase todo mundo começa, em Tour du Mont Blanc.
Para quem ainda decide entre regiões, o contraponto italiano com paredes de calcário no lugar de geleira está em Dolomitas, e o panorama do continente em trekking na Europa. A logística do país, com passes e trens, está em Alpes suíços.
Como chegar
Só se chega a Zermatt de trem. Vindo de carro, o percurso termina no estacionamento de Täsch e continua no trem de cerca de doze minutos. Vindo de trem desde Genebra ou Zurique, são de três a quatro horas com baldeação em Visp, e o trajeto final sobe o vale inteiro.
Zermatt é também uma das pontas do trem panorâmico que cruza o país até os Grisões, o que a torna prática de encaixar num roteiro maior. Quem chega de outro país e quer entender como o transporte suíço funciona encontra o resumo em Alpes suíços.
Como o Mountain Hut trata o Valais
Nossas travessias auto guiadas hoje são no maciço do Mont Blanc e nas Dolomitas. Zermatt aparece no nosso mapa como destino de chegada da Haute Route, que é a travessia seguinte natural de quem já fez o Tour du Mont Blanc e quer subir um degrau de exigência.
Quem está no primeiro trekking alpino costuma se dar melhor começando pelo TMB ou pela Alta Via 1. As duas são auto guiadas: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks, e a gente resolve a corrente de reservas dos refúgios, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho. As datas e os dias estão em roteiros do Mountain Hut.
Perguntas frequentes
Onde fica Zermatt?
No cantão do Valais, no sul da Suíça, a cerca de 1.620 metros de altitude, no fundo de um vale sem saída junto à fronteira com a Itália. Chega-se apenas de trem: quem vem de carro para em Täsch e faz o último trecho, de cerca de doze minutos, sobre trilhos.
Por que não há carros em Zermatt?
A vila proíbe veículos a combustão há décadas e circula com carrinhos elétricos, bicicletas e pedestres. O efeito prático é uma vila silenciosa, em que se ouve o rio, e um deslocamento a pé de poucos minutos até as estações de teleférico. A contrapartida é que toda chegada termina de trem.
Qual a altura do Matterhorn?
O Matterhorn, que em italiano é o Cervino, tem 4.478 metros. Não é o cume mais alto da Suíça, título do Dufourspitze, no maciço do Monte Rosa, com 4.634 metros e visível da mesma região. O que torna o Matterhorn a montanha mais fotografada do mundo é a forma isolada de pirâmide de quatro faces.
O que fazer em Zermatt no verão?
Caminhar, principalmente. A trilha que resume a região é o Caminho dos Cinco Lagos, cerca de dez quilômetros em quatro a cinco horas, quase todo em descida entre Blauherd e Sunnegga. Além dela, o trem do Gornergrat até 3.089 metros e as trilhas da encosta ensolarada sustentam vários dias.
Qual a melhor trilha de Zermatt?
O Caminho dos Cinco Lagos, feito de Blauherd para Sunnegga, no sentido da descida. É a que reúne mais paisagem por menos esforço e a que passa pelo lago em que o Matterhorn se reflete, quando o dia está sem vento. Não exige preparo específico, apenas quatro a cinco horas de pé.
Vale a pena subir ao Matterhorn Glacier Paradise?
Vale para quem quer pisar em neve e ver geleira sem caminhar: é a estação de teleférico mais alta da Europa, a 3.883 metros. Não vale para quem veio andar, porque não há caminhada de verdade lá em cima, faz frio em qualquer mês e o custo é alto mesmo para o padrão suíço.
Qual a melhor época para ir a Zermatt?
De meados de junho a meados de outubro para caminhar, uma janela um pouco mais longa que a de outras regiões porque o vale é seco e ensolarado. Julho e agosto têm tudo aberto e mais gente; setembro costuma ser o melhor equilíbrio; a primeira metade de outubro ainda funciona nas trilhas médias.
Zermatt é o fim da Haute Route?
Sim. A travessia clássica que liga Chamonix a Zermatt termina na vila, e chegar a pé com o Matterhorn de frente depois de quase duas semanas de caminhada é uma das grandes chegadas dos Alpes. É uma travessia mais longa e exigente que o Tour du Mont Blanc, e não costuma ser a primeira de ninguém.