Alpes Suíços · 10 min de leitura

Interlaken: a base entre dois lagos do Oberland

A cidade não é o destino: é a base. O que sai de Interlaken em menos de uma hora, e quando vale dormir embaixo em vez de subir para os vilarejos.

Capa do guia de Interlaken, com a cidade a 567 metros entre dois lagos, a 20 minutos de Lauterbrunnen e a 35 de Grindelwald

Interlaken é uma cidade do Oberland bernês, na Suíça, encaixada entre dois lagos, a cerca de 567 metros de altitude. O nome diz o que ela é: entre lagos, o de Thun de um lado e o de Brienz do outro. E o que ela faz melhor que qualquer outro lugar da região não é paisagem própria, é logística: quase toda viagem de trilha no Oberland passa por ali.

Este guia trata de Interlaken como base. O que dá para fazer na cidade, o que sai dela em menos de uma hora de trem, quando vale dormir ali em vez de subir para os vilarejos, e o que ela resolve para quem está montando uma viagem a pé nos Alpes suíços.

Uma cidade de vale, cercada por montanha

Interlaken está no fundo do vale, num terreno plano entre os dois lagos, e é essa planície que a diferencia dos vilarejos vizinhos. Ela tem estação de trem grande, supermercado, farmácia, loja de equipamento e hospedagem em toda faixa de preço, coisas que Grindelwald e Lauterbrunnen têm em escala menor e mais cara.

A cidade em si não é o destino: a paisagem que aparece nos cartões está acima e ao lado dela. O que Interlaken entrega é a possibilidade de dormir num lugar com estrutura, a preço menor que o dos vilarejos altos, e sair todo dia para uma montanha diferente sem trocar de mala.

O que sai de Interlaken, e em quanto tempo


O que sai de Interlaken por tempo de viagem: Harder Kulm em 8 minutos, Wilderswil em 6, Lauterbrunnen em 20, Grindelwald em 35 e a Schynige Platte em cerca de 55

A régua de decisão da cidade é o relógio. Praticamente tudo o que interessa está a menos de quarenta minutos, e isso é o que permite uma semana inteira de trilhas sem repetir vale.

O Harder Kulm, a 1.322 metros, é o mirante da própria cidade: um funicular de poucos minutos que sobe até uma plataforma com vista para os dois lagos e para a muralha do Eiger, do Mönch e da Jungfrau ao fundo. É o passeio de fim de tarde clássico, e o único que não exige sair de Interlaken.

O vale de Lauterbrunnen, a cerca de vinte minutos, é o mais impressionante da região: um vale glacial de paredes verticais com dezenas de cachoeiras caindo direto na rocha, entre elas a Staubbach, com cerca de 300 metros de queda. Dali sobem os vilarejos sem carro de Wengen e Mürren.

O vale de Grindelwald, a cerca de trinta e cinco minutos, é o outro braço, com os teleféricos que abrem as trilhas aos pés do Eiger. O detalhamento está em Grindelwald.

A Schynige Platte, a partir de Wilderswil, é a subida menos óbvia e a favorita de quem caminha: um trem cremalheira antigo sobe a quase dois mil metros, e de lá sai uma travessia de altitude com vista contínua para os três cumes.

Lauterbrunnen, o vale que justifica a viagem

Se a viagem tiver espaço para um vale só, é este. Lauterbrunnen é um vale glacial em forma de U, com paredes verticais de mais de trezentos metros de cada lado e dezenas de cachoeiras caindo direto da rocha, algumas delas visíveis do fundo do vale sem caminhar nada.

Do fundo desse vale sobem dois vilarejos sem carro, em encostas opostas. Wengen fica de um lado, servido por trem cremalheira, e é a porta para as trilhas do lado do Eiger. Mürren fica do outro, mais alto e menor, com acesso por teleférico, e entrega a vista frontal da muralha inteira. Os dois são pequenos, caros e silenciosos, e escolher entre eles é escolher de qual lado do vale se quer acordar.

Para quem tem um único dia inteiro na região, a combinação que costuma render mais é subir a um dos dois pela manhã, caminhar a trilha de encosta com a vista aberta e descer a pé no fim da tarde, fechando o dia no fundo do vale sem depender de horário de última descida.

Dormir embaixo ou dormir em cima

Essa é a decisão que Interlaken impõe, e ela tem resposta diferente conforme o tipo de viagem.

Dormir em Interlaken faz sentido para estadias de três a seis dias com trilhas em vales diferentes, para quem viaja com orçamento apertado e para quem chega tarde ou parte cedo, já que a cidade tem a conexão ferroviária mais fácil da região. A contrapartida é o deslocamento diário e o fato de a cidade esvaziar de montanha assim que anoitece.

Dormir nos vilarejos altos, como Wengen, Mürren ou Grindelwald, faz sentido para quem quer sair de casa direto para a trilha, ver o nascer e o pôr do sol na montanha e evitar o trem duas vezes por dia. Custa mais caro e restringe o raio de alcance.

Uma solução comum entre quem já foi resolve os dois: duas ou três noites embaixo, no começo da viagem, e duas ou três em cima, no fim.

Os lagos, que quase ninguém usa

Os dois lagos que dão nome à cidade costumam ficar de fora do roteiro de quem vem caminhar, e é um desperdício. Eles são navegáveis, com barcos que fazem a volta parando em vilarejos de margem, e servem para dois casos concretos.

O primeiro é o dia de chuva, que sempre aparece numa viagem de montanha. Com as trilhas altas fechadas na neblina, atravessar um lago de barco e caminhar na margem é o plano B que salva o dia sem esforço.

O segundo é a chegada e a saída. Quem tem meio dia antes do trem para o aeroporto costuma passá-lo na estação; uma travessia de barco resolve melhor o mesmo tempo. As trilhas baixas de margem funcionam quando as de cima ainda estão sob neve, em junho, e depois que os teleféricos altos fecham, em outubro.

Quando ir

Interlaken funciona o ano inteiro, e a temporada de caminhada é a de sempre nos Alpes: de meados de junho a meados de setembro para as trilhas altas, com julho e agosto no pico de movimento. A cidade sendo baixa, ela é quente no verão e sem neve, o que engana quem espera clima de montanha ali embaixo.

Setembro é o melhor mês para caminhar: menos gente nos trens, ar mais limpo e trilhas ainda todas abertas. Em maio e outubro a cidade e os lagos funcionam bem, e boa parte das travessias altas não.

Onde Interlaken entra numa viagem de trilha

Interlaken é base, e é isso que ela faz bem. Ela não substitui a experiência de estar dentro da montanha, e não é a partir dela que se caminha de refúgio em refúgio: o Oberland é uma região de base fixa e trilhas de um dia, com o vilarejo servindo de casa a cada noite.

Quem quer a experiência de atravessar, dormindo numa casa de etapa diferente a cada noite, encontra isso em outras regiões dos Alpes, e a diferença entre os dois formatos está em refúgios nos Alpes. Para quem está decidindo entre países e maciços, o panorama está em trekking na Europa, com o contraponto italiano em Dolomitas.

A logística do país, com trens, passes e as regiões que valem uma viagem inteira, está em Alpes suíços, e a região de montanha que Interlaken abre, com o trem mais alto da Europa, em Jungfrau.

Como o Mountain Hut trata o Oberland

Nossas travessias auto guiadas hoje são no maciço do Mont Blanc e nas Dolomitas, e não no Oberland. Dizemos isso porque a pergunta chega: quem vê a foto do vale de Lauterbrunnen costuma querer caminhar de refúgio em refúgio ali, e a região é de outro formato.

Quem quer atravessar, com a mochila indo de um vale a outro, encontra isso no Tour du Mont Blanc e na Alta Via 1. As duas são auto guiadas: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks, e a gente resolve a corrente de reservas dos refúgios, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho. As datas e os dias estão em roteiros do Mountain Hut.

Perguntas frequentes

Onde fica Interlaken?

No Oberland bernês, na Suíça, entre o lago de Thun e o lago de Brienz, a cerca de 567 metros de altitude. É uma cidade de fundo de vale, plana, com estação ferroviária grande, e funciona como porta de entrada para os vales de Lauterbrunnen e Grindelwald.

O que fazer em Interlaken?

A cidade em si oferece o funicular do Harder Kulm, a 1.322 metros, com vista para os dois lagos e para a muralha do Eiger, do Mönch e da Jungfrau, além dos barcos que cruzam os dois lagos. O restante do programa acontece fora dela: os vales vizinhos estão todos a menos de quarenta minutos de trem.

Vale a pena ficar em Interlaken ou nos vilarejos da montanha?

Interlaken compensa em estadias de três a seis dias com trilhas em vales diferentes, para quem viaja com orçamento apertado e para quem chega tarde ou parte cedo. Os vilarejos altos, como Wengen, Mürren e Grindelwald, compensam para quem quer sair de casa direto para a trilha e ver o nascer do sol na montanha. Dividir a viagem entre os dois é comum.

Quanto tempo de Interlaken a Grindelwald?

Cerca de 35 minutos de trem a partir de Interlaken Ost. Lauterbrunnen fica a cerca de 20 minutos, Wilderswil, de onde sai o trem da Schynige Platte, a cerca de 6, e o funicular do Harder Kulm parte da própria cidade em poucos minutos.

Quantos dias ficar em Interlaken?

Três a cinco dias cheios permitem conhecer os dois vales principais, subir a um mirante de altitude e ainda ter um dia de folga para chuva. Menos que isso obriga a escolher entre Lauterbrunnen e Grindelwald; mais que isso começa a repetir paisagem, a menos que a viagem inclua travessias mais longas.

Qual a melhor época para ir a Interlaken?

De meados de junho a meados de setembro para as trilhas altas, com julho e agosto no pico de movimento e setembro entregando o melhor equilíbrio. A cidade funciona o ano inteiro, e é importante saber que ela é baixa e quente no verão: o clima de montanha começa acima dela.

O que fazer em Interlaken em dia de chuva?

Os lagos resolvem. Com as trilhas altas na neblina, uma travessia de barco com caminhada na margem salva o dia sem esforço, e as trilhas baixas de margem funcionam mesmo quando as de altitude estão fechadas, o que também vale para junho, com neve, e para outubro, quando os teleféricos altos encerram.

Dá para fazer travessia de refúgio em refúgio a partir de Interlaken?

O Oberland é uma região de base fixa, com trilhas de um dia que voltam ao mesmo lugar para dormir. Quem quer caminhar de casa de etapa em casa de etapa, com a mochila indo de um vale a outro, encontra esse formato no Tour du Mont Blanc e na Alta Via 1.

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