Alpes Suíços · 9 min de leitura

Jungfrau: a região e o trem mais caro dos Alpes

Três coisas atendem pelo mesmo nome: a montanha de 4.158 metros, a região dos dois vales e o trem que sobe a 3.454. Elas custam muito diferente.

Capa do guia da Jungfrau, com a montanha a 4.158 metros, a estação mais alta da Europa a 3.454 e a geleira de Aletsch com cerca de 20 quilômetros

Jungfrau é uma montanha de 4.158 metros no Oberland bernês, na Suíça, e é também o nome que a região inteira em volta dela adotou. A confusão é comum e vale desfazer logo: quem procura Jungfrau normalmente quer uma de três coisas, e elas custam muito diferente entre si.

A primeira é o maciço, a muralha de três cumes que fecha o vale: o Eiger com 3.967 metros, o Mönch com 4.107 e a Jungfrau com 4.158. A segunda é a região, que reúne Grindelwald, Lauterbrunnen, Wengen e Mürren. A terceira é o Jungfraujoch, a estação de trem mais alta da Europa, a 3.454 metros, que é o passeio mais caro dos Alpes suíços e é o motivo pelo qual a maioria das pessoas digita esse nome.

O maciço, e por que ele é diferente

A muralha do Eiger, do Mönch e da Jungfrau sobe direto do vale, quase sem antecipação. Em boa parte dos Alpes, a alta montanha aparece atrás de cumes menores; aqui ela está a poucos quilômetros de um vilarejo a mil metros de altitude, e é essa proximidade vertical que impressiona.

Atrás dessa muralha está a geleira de Aletsch, a maior dos Alpes, com cerca de vinte quilômetros de extensão, reconhecida como patrimônio mundial. Ela não é visível do vale: só aparece de cima, e essa é a justificativa mais honesta da subida ao Jungfraujoch.

O trem mais caro dos Alpes, e quando ele vale


A subida ao Jungfraujoch trecho a trecho: Interlaken Ost a 567 m, Grindelwald a 1.034, Eigergletscher a 2.320, Kleine Scheidegg a 2.061 e o Jungfraujoch a 3.454 metros

O Jungfraujoch é um colo entre o Mönch e a Jungfrau, a 3.454 metros, onde existe uma estação de trem, um complexo de mirantes, túneis escavados no gelo e uma plataforma com vista para a geleira de Aletsch. A ferrovia foi aberta no começo do século XX e o trecho final é escavado por dentro do Eiger.

É uma obra impressionante e uma decisão de orçamento. O bilhete custa, com folga, mais que qualquer outro passeio de teleférico da Suíça, e o passeio inteiro consome entre meio dia e um dia. A régua honesta é esta:

Vale para quem tem um único dia na região e quer alta montanha sem caminhar; para quem viaja com pessoas que não caminham; e para quem quer ver a geleira de Aletsch, que não aparece de nenhum outro lugar acessível.

Não vale para quem veio caminhar. O mesmo valor paga vários dias de teleférico local, e lá em cima não existe caminhada de verdade: o que há é um complexo fechado, com corredores, mirantes e neve o ano inteiro. A vista, embora grandiosa, é a que já está em toda foto do lugar.

Como se chega lá em cima

Há dois caminhos, e eles partem dos dois vales da região. Pelo lado de Grindelwald, uma gôndola moderna sobe direto ao pé da geleira e conecta com o trem, e é o caminho mais rápido desde a inauguração dela. Pelo lado de Lauterbrunnen, sobe-se por Wengen até Kleine Scheidegg, a 2.061 metros, onde o trem do Jungfraujoch começa.

Kleine Scheidegg é o ponto em que os dois caminhos se encontram, e é também uma boa parada por si: é dali que sai a trilha panorâmica descrita em Grindelwald, e é de lá que se vê a face norte do Eiger de frente, sem pagar a subida final.

Uma alternativa que quase ninguém considera: descer a pé de Kleine Scheidegg para o vale, em vez de voltar de trem. São algumas horas de descida contínua aos pés da parede, e é o trecho mais bonito do dia para quem caminha.

A região, que é o que sustenta uma semana

Se a pergunta for o que fazer na região da Jungfrau por vários dias, a resposta não passa pelo Jungfraujoch. Ela passa pelos dois vales, e cada um tem caráter próprio.

O vale de Grindelwald abre as trilhas do lado do Eiger, com First, Männlichen e o lago Bachalpsee. O vale de Lauterbrunnen, com paredes verticais e cachoeiras, sustenta os vilarejos sem carro de Wengen e Mürren, e do lado de Mürren fica o mirante com a vista frontal da muralha inteira.

A base logística dos dois é a mesma, e está descrita em Interlaken. Para quem quer caminhar mais e pagar menos por mecânica, o formato de base fixa da região é o mesmo que aparece em Alpes suíços.

As alternativas de altitude, por bem menos

Para quem quer a sensação de estar em cima sem o bilhete do Jungfraujoch, a região oferece três saídas mais baratas, e todas entregam caminhada de verdade, que é o que falta lá em cima.

A primeira é Männlichen, a 2.343 metros, com a descida panorâmica até Kleine Scheidegg. A segunda é First, a 2.166 metros, com o lago Bachalpsee logo adiante. A terceira, do lado de Mürren, é o mirante que fica próximo dos três mil metros e entrega a vista frontal da muralha inteira, com a Jungfrau, o Mönch e o Eiger alinhados.

Nenhuma das três mostra a geleira de Aletsch, que é o argumento real do Jungfraujoch. Todas as três mostram a mesma muralha, de ângulos diferentes, por uma fração do preço e com trilha para caminhar em cima. Se a viagem tiver espaço para uma subida cara e várias baratas, a ordem que costuma render mais é fazer as baratas primeiro: elas ajudam a decidir se a cara ainda é necessária.

Quando ir

Para caminhar, de meados de junho a meados de setembro. O Jungfraujoch, por ser fechado e servido por trem, funciona o ano inteiro, e é justamente por isso que ele aparece tanto em roteiro de inverno.

Há um cuidado específico dessa subida: o dia precisa estar limpo. Pagar o bilhete e chegar a 3.454 metros dentro de uma nuvem é a decepção mais comum da região, e as previsões de topo são publicadas diariamente. Quem tem flexibilidade de dias faz melhor deixando o Jungfraujoch para o primeiro dia de céu aberto, e não para uma data marcada com antecedência.

Altitude, e o que ela cobra

Subir de cerca de mil metros a 3.454 em pouco mais de uma hora é uma mudança de altitude rápida. A maioria das pessoas sente apenas falta de ar leve e cansaço, e não há risco significativo para uma visita curta. Ainda assim, é comum sair de lá com dor de cabeça, e o motivo raramente é a montanha: é a combinação de altitude, ar seco e pouca água.

Quem tem histórico de reagir mal à altitude, ou quem vai caminhar em seguida nas trilhas altas, encontra o assunto tratado em mal da altitude. Para o preparo geral de uma viagem a pé nos Alpes, o caminho está em como se preparar para uma trilha.

Onde a Jungfrau entra numa viagem de trilha

A região da Jungfrau é o melhor lugar dos Alpes para quem quer alta montanha com conforto de vilarejo e trilhas de um dia. Ela não é região de travessia: aqui se dorme sempre no mesmo lugar e se volta ao fim do dia, ao contrário do formato descrito em refúgios nos Alpes.

Para quem está escolhendo entre regiões e formatos, o panorama está em trekking na Europa e o contraponto italiano, de calcário em vez de geleira, em Dolomitas.

Como o Mountain Hut trata o Oberland

Nossas travessias auto guiadas são no maciço do Mont Blanc e nas Dolomitas, e não na região da Jungfrau, que é de base fixa. Quem quer atravessar, dormindo numa casa de etapa diferente a cada noite, encontra isso no Tour du Mont Blanc e na Alta Via 1.

As duas são auto guiadas: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks, e a gente resolve a corrente de reservas dos refúgios, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho. As datas e os dias estão em roteiros do Mountain Hut.

Perguntas frequentes

O que é a Jungfrau?

É uma montanha de 4.158 metros no Oberland bernês, na Suíça, e também o nome que a região em volta dela adotou. Ela forma, com o Mönch de 4.107 metros e o Eiger de 3.967, a muralha de três cumes que fecha os vales de Grindelwald e Lauterbrunnen.

O que é o Jungfraujoch?

É o colo entre o Mönch e a Jungfrau, a 3.454 metros, onde fica a estação de trem mais alta da Europa. No alto existem mirantes, túneis escavados no gelo e uma plataforma com vista para a geleira de Aletsch. O trecho final da ferrovia é escavado por dentro do Eiger.

Vale a pena subir ao Jungfraujoch?

Vale para quem tem um único dia na região, para quem viaja com pessoas que não caminham e para quem quer ver a geleira de Aletsch, que não aparece de nenhum outro ponto acessível. Não compensa para quem veio caminhar: o mesmo valor paga vários dias de teleférico local, e lá em cima não há trilha de verdade.

Quanto custa o trem para o Jungfraujoch?

É o passeio mais caro dos Alpes suíços com folga, e o valor muda a cada temporada, além de variar com passes de transporte e com bilhetes comprados para horários específicos. Por isso o número não aparece aqui: vale conferir na fonte oficial antes de fechar a viagem.

Quais são as alternativas mais baratas ao Jungfraujoch?

Männlichen, a 2.343 metros, com a descida panorâmica até Kleine Scheidegg; First, a 2.166 metros, com o lago Bachalpsee; e, do lado de Mürren, o mirante próximo dos três mil metros com a vista frontal da muralha. Nenhum mostra a geleira de Aletsch, e todos entregam caminhada de verdade em cima.

Como chegar ao Jungfraujoch?

Por dois caminhos, um em cada vale. Pelo lado de Grindelwald, uma gôndola sobe ao pé da geleira e conecta com o trem, que é o trajeto mais rápido. Pelo lado de Lauterbrunnen, sobe-se por Wengen até Kleine Scheidegg, a 2.061 metros, onde a ferrovia do Jungfraujoch começa. Os dois se encontram em Kleine Scheidegg.

Faz mal subir ao Jungfraujoch?

Para uma visita curta, a maioria das pessoas sente apenas falta de ar leve e cansaço, sem risco significativo. Dor de cabeça é comum, e costuma vir da combinação de altitude, ar seco e pouca água, mais do que da montanha. Quem tem histórico de reagir mal à altitude deve tratar a subida com mais cuidado.

Quantos dias ficar na região da Jungfrau?

Quatro a seis dias permitem conhecer os dois vales, subir a dois ou três mirantes de altitude e guardar um dia para chuva. O Jungfraujoch consome entre meio dia e um dia inteiro, e o ideal é deixá-lo para o primeiro dia de céu limpo, em vez de marcá-lo com antecedência.

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