Tre Cime di Lavaredo: o circuito a pé em números
O Giro delle Tre Cime trecho a trecho: distância, tempo, desnível, os refúgios do caminho, o sentido recomendado, a estrada de pedágio de Auronzo e o que fazer quando o estacionamento lota.
As Tre Cime di Lavaredo, ou Drei Zinnen em alemão, são três torres de rocha que se levantam lado a lado no norte das Dolomitas, na fronteira entre o Vêneto e o Alto Ádige, na Itália. A maior delas, a Cima Grande, passa dos 2.900 metros. São o símbolo das Dolomitas, a imagem que aparece em toda foto da região, e ao mesmo tempo o destino mais concreto que existe por ali: em volta delas corre um circuito a pé de cerca de quatro horas.
É essa a diferença entre este e a maioria dos cartões-postais alpinos. Aqui a atração não é um mirante onde se estaciona: é uma caminhada. Este guia entrega a trilha como ela é planejada por quem caminha, com distância, tempo, os refúgios do caminho, o problema do estacionamento na alta temporada e o que fazer quando a vaga acaba.
O Giro delle Tre Cime: a trilha em números

O circuito clássico, chamado Giro delle Tre Cime, começa e termina no Rifugio Auronzo, a cerca de 2.320 metros, aonde se chega por uma estrada de pedágio. São aproximadamente 10 quilômetros, com desnível acumulado modesto para os padrões das Dolomitas, algo em torno de 350 a 400 metros, e de três horas e meia a quatro horas e meia de caminhada, dependendo do ritmo e das paradas.
A dificuldade é moderada e o traçado é largo e bem marcado na maior parte, o que faz dele uma das poucas trilhas alpinas realmente acessíveis a quem nunca caminhou em montanha. O que ela exige é calçado adequado, roupa para o tempo mudar e a consciência de que se está acima dos 2.300 metros, onde o clima vira rápido.
Sobre o sentido: a maioria caminha no sentido horário, saindo do Rifugio Auronzo em direção ao Rifugio Lavaredo. É a escolha que deixa a face norte das torres, a mais famosa, aparecendo aos poucos, em vez de mostrá-la logo no começo.
O que se vê em cada trecho
- Rifugio Auronzo até o Rifugio Lavaredo, cerca de 30 a 40 minutos. Trilha larga e quase plana pela vertente sul, com as torres à esquerda o tempo todo e o vale de Auronzo se abrindo à direita. É o trecho que engana: parece que a caminhada inteira será assim.
- Subida à Forcella Lavaredo, cerca de 20 minutos. A única subida de verdade do circuito, curta e em terreno de pedra, até o colo que separa as duas vertentes. É ali que a paisagem troca de lado e as Dolomitas do norte aparecem inteiras.
- Da forcella ao Rifugio Locatelli, cerca de 40 minutos. A trilha atravessa em meia encosta até o refúgio conhecido em alemão como Dreizinnenhütte. Deste ponto se vê o retrato clássico: as três torres alinhadas de frente, na face norte. Se você só puder ir até um ponto do circuito, é este.
- O retorno pela face norte, cerca de duas horas. A volta contorna o conjunto por trás, passando por pastos de altitude, pela Malga Langalm e por trechos com vista das outras montanhas do maciço, até fechar o círculo no Rifugio Auronzo. É a parte mais silenciosa, porque boa parte dos visitantes volta pelo mesmo caminho da ida.
Como chegar e o problema do estacionamento
O acesso rodoviário é pela estrada de pedágio que sobe de Misurina até o Rifugio Auronzo. Ela é aberta na temporada de verão, cobra por veículo e leva direto ao ponto de partida da trilha, o que explica por que este é o circuito mais visitado das Dolomitas.
O problema é o número de vagas. Em julho e agosto o estacionamento do refúgio enche no começo da manhã, e há anos em que a subida é fechada quando lota, com controle na base. Três saídas para isso:
- Chegar cedo, antes das oito, o que ainda tem o bônus da luz da manhã e da trilha vazia.
- Subir de ônibus a partir de Misurina, Cortina d’Ampezzo ou Dobbiaco, na linha de temporada, o que resolve o problema por inteiro.
- Subir a pé desde Misurina, que acrescenta uma boa subida ao dia e transforma o passeio numa caminhada bem mais séria.
Valores de pedágio, horários da estrada e da linha de ônibus mudam a cada temporada. Confira na fonte oficial do parque ou do consórcio de turismo local antes de sair.
Quando ir
A janela é a mesma do resto das Dolomitas: de meados de junho a meados de setembro, quando a estrada está aberta, os refúgios funcionam e a neve saiu dos trechos altos. Julho e agosto concentram o movimento; setembro entrega dias mais frios, trilha mais vazia e uma luz melhor, com refúgios começando a fechar no fim do mês.
Fora dessa janela o cenário é outro. Com a estrada de pedágio fechada pela neve, chegar ao Rifugio Auronzo deixa de ser um passeio de carro e vira uma saída de inverno, com raquetes ou esqui de travessia, terreno de avalanche e necessidade de experiência ou de guia. É uma montanha completamente diferente, e não é dela que este guia trata.
Sobre a hora do dia, a face norte, a do retrato clássico, recebe luz melhor no começo e no fim do dia. Nascer e pôr do sol ali são o motivo pelo qual muita gente decide dormir no Locatelli em vez de descer no fim da tarde.
Dormir em refúgio: o que o passeio de um dia não mostra
O circuito passa por refúgios de verdade, não por lanchonetes de mirante. São casas de montanha que servem refeição, vendem cama e existem para abrigar quem caminha. Dormir em um deles muda a experiência: você vê o movimento acabar no fim da tarde, janta em mesa comprida com gente que veio caminhando de outros vales e acorda com as torres na primeira luz, sem ninguém em volta.
O padrão é a meia-pensão, com dormitório coletivo, saco-lençol exigido e pagamento em espécie na maioria das casas. Quem passa uma noite ali costuma entender por que existe gente que emenda dias seguidos disso, que é exatamente o assunto da próxima seção.
Das Tre Cime à travessia completa
O Giro delle Tre Cime é, na prática, um dia de travessia em versão condensada: sair de um refúgio, cruzar um colo, chegar a outro refúgio, ver a paisagem trocar de lado. Numa travessia, isso se repete por dias, e a cada manhã você acorda em um lugar diferente.
Nas Dolomitas, a travessia clássica é a Alta Via 1: de 120 a 135 quilômetros do Lago di Braies, no norte, até o vale de Belluno, em nove dias de refúgio em refúgio, com 7.000 a 8.000 metros de subida acumulada e ponto mais alto no Rifugio Lagazuoi, a 2.752 metros. Ela não passa pelas Tre Cime, que ficam mais a leste, mas atravessa a mesma cordilheira, com as mesmas paredes verticais e a mesma cultura de refúgio.
Se o circuito das torres foi o seu primeiro contato com as Dolomitas, vale conhecer a região inteira antes de montar o roteiro: reunimos os clássicos e a caminhada de cada um em o que fazer nas Dolomitas, e o guia da região está em Dolomitas.
Como o Mountain Hut organiza a travessia
Nossa Alta Via 1 são nove dias e oito noites, do Lago di Braies a La Pissa, com hospedagem encadeada em oito refúgios. É uma travessia auto guiada: a gente resolve reservas e logística, entrega roadbook, mapas e tracks de GPS, e você caminha no seu ritmo.
Se quiser ver os dias, os desníveis e as datas, os roteiros estão em roteiros do Mountain Hut.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva a trilha das Tre Cime di Lavaredo?
O circuito clássico, o Giro delle Tre Cime, tem cerca de 10 quilômetros e leva de três horas e meia a quatro horas e meia, dependendo do ritmo e das paradas. Sai e volta ao Rifugio Auronzo, com desnível acumulado em torno de 350 a 400 metros.
Qual a dificuldade do circuito das Tre Cime?
Moderada. O traçado é largo e bem marcado na maior parte, com uma única subida de verdade, curta, até a Forcella Lavaredo. É uma das poucas trilhas alpinas realmente acessíveis a quem nunca caminhou em montanha, desde que se leve calçado adequado e roupa para o tempo mudar.
Precisa pagar para chegar às Tre Cime di Lavaredo?
Sim. O acesso de carro é por uma estrada de pedágio que sobe de Misurina até o Rifugio Auronzo, aberta na temporada de verão e cobrada por veículo. Os valores mudam a cada temporada, e há a alternativa do ônibus de linha, que sobe de Misurina, Cortina d’Ampezzo e Dobbiaco.
Onde estacionar nas Tre Cime di Lavaredo?
No estacionamento do Rifugio Auronzo, no fim da estrada de pedágio. Em julho e agosto ele enche no começo da manhã, e há anos em que a subida é fechada quando lota. As saídas são chegar antes das oito, subir de ônibus ou caminhar desde Misurina.
Dá para fazer as Tre Cime sem experiência em trekking?
Dá. É um circuito moderado, sem trecho técnico no traçado clássico. O que se pede é bota ou tênis de trilha com aderência, camada de chuva e vento, água e a consciência de que se está acima de 2.300 metros, onde o clima muda rápido.
Qual a melhor época para caminhar nas Tre Cime di Lavaredo?
De meados de junho a meados de setembro, quando a estrada está aberta, os refúgios funcionam e a neve saiu dos trechos altos. Setembro tem trilha mais vazia e luz melhor, com refúgios começando a fechar no fim do mês.
Dá para dormir em um refúgio nas Tre Cime?
Dá, e é o que muda a experiência: o movimento acaba no fim da tarde e as torres aparecem na primeira luz sem ninguém em volta. O padrão é a meia-pensão, com dormitório coletivo, saco-lençol exigido e pagamento em espécie na maioria das casas.