Dolomitas · 9 min de leitura

Alpe di Siusi: o maior planalto alpino da Europa

Cinquenta e seis quilômetros quadrados de pastagem alta, sem carro durante o dia. A caminhada mais acessível das Dolomitas, e a regra que pega todo mundo.

Capa do guia do Alpe di Siusi, com cerca de 56 km² de pastagem entre 1.700 e 2.300 metros, sem carros durante o dia

Alpe di Siusi, que em alemão é Seiser Alm, é o maior planalto alpino de altitude da Europa: cerca de cinquenta e seis quilômetros quadrados de pastagem ondulada entre aproximadamente 1.700 e 2.300 metros, no Tirol do Sul italiano. É uma paisagem que não se parece com o resto das Dolomitas: em vez de parede vertical, um mar de grama, com as montanhas aparecendo nas bordas.

Este guia trata do que fazer ali a pé, da regra de acesso que confunde quase todo visitante de primeira viagem, de quando o planalto vale um dia inteiro e de como ele se encaixa numa viagem de caminhada pelas Dolomitas.

O que é um planalto de altitude

A palavra alpe, nesse contexto, não significa montanha: significa pastagem alta, o lugar onde o gado passa o verão. O Alpe di Siusi é a maior dessas pastagens nos Alpes, e continua sendo usada como tal, com celeiros de madeira espalhados e vacas soltas entre junho e setembro.

A paisagem é feita de ondulações suaves, com trilhas largas e desníveis pequenos, e é isso que a torna diferente do resto da região. Aqui não há passagem exposta nem subida longa: é caminhada de horizonte aberto, com o grupo do Sassolungo de um lado, passando dos três mil metros, e a silhueta achatada do Sciliar do outro.

A regra do carro, que pega todo mundo


A travessia do planalto do Alpe di Siusi, do vale à entrada do planalto a cerca de 1.850 metros e daí ao extremo oposto, com volta de ônibus interno

Esta é a informação prática mais importante do lugar, e ela costuma ser descoberta tarde demais: a estrada que sobe ao planalto é fechada a carros durante o dia, em geral do meio da manhã ao fim da tarde, com exceção para moradores e para quem está hospedado lá em cima.

A regra existe para preservar a pastagem, e o efeito é que quase todos chegam por teleférico, a partir de Siusi ou de Ortisei, ou de ônibus. Quem sobe de carro de madrugada consegue estacionar, e quem tenta subir às dez da manhã é barrado.

Dentro do planalto circula um sistema de ônibus e alguns trechos permitem bicicleta. Nada disso é obstáculo: na prática, o transporte funciona bem e a restrição é o que mantém o lugar em silêncio, que é justamente o que se vem buscar.

A caminhada clássica

O percurso mais feito atravessa o planalto de uma ponta a outra, com o Sassolungo sempre à frente. Sai-se da entrada do planalto e caminha-se por trilha larga e quase plana até o extremo oposto, com paradas nos refúgios de pastagem que servem comida ao longo do caminho. São de duas a quatro horas, conforme o trajeto escolhido, e a volta se faz de ônibus ou pelo mesmo caminho.

Quem quer mais que isso tem duas extensões naturais. Subir na direção do Sciliar, ganhando altitude e vista de conjunto sobre a pastagem inteira. Ou seguir para a borda oriental, onde o planalto termina e começa a paisagem vertical, do lado que aparece em Seceda.

É caminhada acessível a quase qualquer pessoa, o que faz do planalto um dos poucos lugares das Dolomitas que funciona bem para grupos com ritmos diferentes, com crianças ou com quem não tem preparo específico. O básico que ainda assim é preciso levar está em o que levar em um trekking.

Dormir em cima, e o que isso muda

Existem hotéis e pousadas dentro do planalto, e eles resolvem exatamente o que a restrição de carro cria: quem dorme lá em cima tem acesso rodoviário e, mais importante, tem o lugar quase vazio nas duas pontas do dia.

A diferença é grande. Entre o fim da tarde e o meio da manhã seguinte, quando os teleféricos não estão trazendo ninguém, a pastagem fica silenciosa a ponto de se ouvir o gado do outro lado da ondulação. O nascer do sol sobre o Sassolungo, visto de dentro do planalto, é uma das cenas que justificam a diária mais alta.

A contrapartida, além do preço, é a limitação de opções: são poucas casas, elas enchem cedo na temporada e a maioria trabalha com estadia mínima em julho e agosto. Quem não conseguir vaga não perde muita coisa dormindo no vale, desde que chegue no primeiro teleférico da manhã em vez de no meio do dia.

Quando ir, e a que horas

A temporada é a das Dolomitas: de meados de junho a meados de setembro, com o gado no pasto e os refúgios abertos. Junho tem os campos floridos, agosto tem gente, e setembro entrega a melhor combinação de trilha vazia e refúgio funcionando.

O horário importa mais aqui do que em outros lugares. O planalto tem luz melhor e movimento menor no começo da manhã e no fim da tarde, e a maior parte dos visitantes chega entre dez e quatro. Quem dorme lá em cima, num dos hotéis de pastagem, tem o planalto quase só para si nas duas pontas do dia, e é a razão pela qual essa hospedagem custa mais.

O que se vê das bordas

Uma parte do que faz o planalto valer a pena não está no meio dele, e sim nas bordas, onde a pastagem termina. São três direções, e cada uma mostra uma face diferente das Dolomitas.

Na borda voltada para o Sassolungo, o grupo aparece inteiro, com as torres subindo direto do pasto: é a vista que ilustra quase toda foto do lugar, e ela melhora conforme se caminha para leste. Na direção do Sciliar, a silhueta achatada domina o horizonte e serve de referência para se localizar em qualquer ponto do planalto. E na borda oriental, o terreno se rompe e começa a paisagem vertical do Val Gardena.

Caminhar até uma dessas bordas custa entre uma e duas horas a partir da entrada do planalto, e é o que separa quem viu o Alpe di Siusi de quem caminhou nele. O centro é bonito e é onde está a multidão; as bordas são onde a paisagem se explica.

Alpe di Siusi e a travessia das Dolomitas

O planalto não está sobre a travessia clássica que cruza as Dolomitas de norte a sul, que passa mais a leste. O percurso completo, com os dias e os refúgios, está em Alta Via 1, e o panorama das travessias numeradas da região em trekking nas Dolomitas.

O que o Alpe di Siusi faz bem é outra coisa: ele é o melhor lugar da região para um primeiro dia. É onde se caminha muito com pouco esforço, se ganha altitude sem sofrimento e se entende a escala das montanhas antes de entrar nelas. Muita gente que atravessa as Dolomitas usa o planalto exatamente assim, como aclimatação e como descanso ativo.

Onde ele entra numa viagem

A combinação mais eficiente é usar o Val Gardena como base por alguns dias e dividir assim: um dia no planalto, um dia na crista de Seceda, e um dia nos clássicos mais a leste, listados em o que fazer nas Dolomitas. Se a viagem incluir o lado de Cortina, o recorte está em Cortina d’Ampezzo.

Para quem está decidindo a região da viagem, o guia amplo é Dolomitas, e a comparação entre caminhar de base fixa e atravessar dormindo em refúgio está em refúgios nos Alpes.

Como o Mountain Hut atravessa as Dolomitas

A nossa travessia nas Dolomitas é a Alta Via 1, do Lago di Braies ao vale de Belluno, e ela não passa pelo Alpe di Siusi. Quem quer conhecer o planalto costuma encaixá-lo nos dias anteriores à travessia, que é quando ele mais serve: caminhada leve, altitude moderada e pernas prontas para o primeiro colo.

É uma travessia auto guiada: você caminha no seu ritmo, com roadbook, mapas e tracks de GPS, e a gente resolve a corrente de reservas dos refúgios, que é a parte que trava quem tenta montar sozinho. Os dias, os desníveis e as datas estão em roteiros do Mountain Hut.

Perguntas frequentes

O que é o Alpe di Siusi?

É o maior planalto alpino de altitude da Europa, com cerca de cinquenta e seis quilômetros quadrados de pastagem ondulada entre aproximadamente 1.700 e 2.300 metros, no Tirol do Sul italiano. Continua sendo pastagem em uso, com celeiros de madeira e gado solto no verão, e tem o grupo do Sassolungo de um lado e o Sciliar do outro.

Pode subir de carro ao Alpe di Siusi?

Não durante o dia. A estrada de acesso é fechada a carros em geral do meio da manhã ao fim da tarde, com exceção para moradores e para quem está hospedado no planalto. A regra existe para preservar a pastagem, e faz com que quase todos cheguem por teleférico, a partir de Siusi ou de Ortisei, ou de ônibus.

Qual a caminhada clássica do Alpe di Siusi?

A travessia do planalto de uma ponta à outra, por trilha larga e quase plana, com o Sassolungo à frente e refúgios de pastagem no caminho. São de duas a quatro horas conforme o trajeto, e a volta pode ser feita de ônibus interno ou pelo mesmo caminho, a pé.

O Alpe di Siusi é bom para quem não tem preparo?

É um dos melhores lugares das Dolomitas nesse sentido. As trilhas são largas, os desníveis pequenos e não existe passagem exposta, o que faz o planalto funcionar bem para grupos com ritmos diferentes, com crianças ou com quem não caminha regularmente.

Qual a melhor hora para visitar o Alpe di Siusi?

Começo da manhã e fim da tarde. A maior parte dos visitantes chega entre dez e quatro, que é também quando a luz é pior. Quem dorme num dos hotéis do planalto tem o lugar quase só para si nas duas pontas do dia, e essa é a razão de a diária ali custar mais.

Qual a melhor época para ir ao Alpe di Siusi?

De meados de junho a meados de setembro, com o gado no pasto e os refúgios abertos. Junho traz os campos floridos, agosto concentra o movimento por causa das férias italianas, e setembro entrega a melhor combinação de trilha vazia com refúgio ainda funcionando.

Alpe di Siusi ou Seceda?

São vizinhos e opostos em caráter. O Alpe di Siusi é planalto: horizonte aberto, caminhada suave e distância. Seceda é crista e parede, com paisagem vertical concentrada. Quem tem dois dias no Val Gardena costuma fazer um de cada, e quem tem um só escolhe pelo tipo de caminhada que prefere.

O Alpe di Siusi fica na Alta Via 1?

Não. A travessia clássica das Dolomitas passa mais a leste. O planalto costuma ser usado de outra forma por quem vai atravessar: como primeiro dia de aclimatação, caminhando bastante com pouco esforço e ganhando altitude antes de encarar o primeiro colo da travessia.

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