# Tour du Mont Blanc: quantos dias leva a travessia

> Quantos dias leva nao e uma pergunta sobre a montanha: e sobre as suas ferias. O TMB tem tres formatos, e escolher entre eles e escolher do que abrir mao.

Source: https://mountainhut.com.br/tour-du-mont-blanc-quantos-dias/

**O Tour du Mont Blanc leva 11 dias de caminhada no circuito completo**, cerca de 7 a 8 dias na versão que a maioria dos programas vende, e 5 dias no recorte que concentra a vista do maciço. As três são o mesmo caminho: o que muda é quanto dele você percorre a pé.

Essa pergunta quase nunca é sobre a montanha. É sobre férias, passagem e quantos dias de folga existem de verdade. Por isso a resposta que serve não é um número, é a comparação entre os três formatos e o que cada um cobra em experiência. O circuito inteiro, com a descrição do traçado e dos colos, está em [Tour du Mont Blanc](/tour-du-mont-blanc/).

## O circuito completo, em 11 etapas

O formato clássico sai de Les Houches, no vale de Chamonix, e volta a Les Houches depois de dar a volta no maciço por França, Itália e Suíça. São cerca de 170 quilômetros e algo perto de 10.000 metros de subida acumulada.

A descrição de cada etapa, com os colos e as bifurcações, está em [o roteiro etapa por etapa](/tour-du-mont-blanc-roteiro/). Os números abaixo são os que a maioria dos guias apresenta, e eles variam de fonte para fonte, porque cada uma mede a partir de pontos ligeiramente diferentes. Sirva-se deles como ordem de grandeza, não como medida exata.

Etapa
Trecho
Colo principal
Distância
Subida

1
Les Houches a Les Contamines
Col de Voza ou Col du Tricot
18 a 20 km
800 a 1.300 m

2
Les Contamines a Les Chapieux
Col du Bonhomme
18 km
1.300 m

3
Les Chapieux ao vale italiano
Col de la Seigne, 2.516 m
15 a 18 km
1.000 m

4
Descida a Courmayeur
Col Chécrouit
14 a 18 km
700 m

5
Courmayeur ao Val Ferret italiano
Mont de la Saxe
12 a 14 km
1.000 a 1.200 m

6
Travessia para a Suíça
Grand Col Ferret, 2.537 m
18 a 20 km
800 m

7
Descida do Val Ferret suíço
sem colo alto
14 a 16 km
500 m

8
Passagem para o vale de Trient
Bovine ou Fenêtre d’Arpette
15 a 17 km
800 a 1.400 m

9
Volta à França
Col de Balme
13 a 15 km
900 m

10
A varanda de Chamonix
trecho do Lac Blanc
12 a 14 km
1.000 m

11
Fechamento em Les Houches
Le Brévent
16 a 18 km
800 m

O circuito tem três caracteres bem distintos, e eles se sucedem na ordem em que aparecem acima. O trecho francês é o mais alpino em sentido clássico: pastagens altas, colos de pedra solta e o maciço escondido atrás da primeira muralha. O trecho italiano, no [Vale de Aosta](/vale-de-aosta/), é o de maior espetáculo, com a vertente sul do Mont Blanc de frente durante dois dias inteiros. O suíço é o mais verde e o mais doméstico, com vilarejos de madeira e um ritmo mais lento, e costuma ser o que as pessoas menos esperam e mais comentam depois.

Repare que não há etapa curta. A menor passa de 12 quilômetros, e quase todas pedem mais de 800 metros de subida. É essa repetição, e não uma etapa isolada, que define a dificuldade da travessia.

## A versão de 7 a 8 dias

É o formato mais comum nos programas comerciais, inclusive no nosso, e não é uma versão pela metade: percorre o circuito inteiro. O que ela faz é tirar do pé alguns trechos que rendem pouco em paisagem e muito em cansaço.

- **Teleférico em uma ou duas subidas.** Os trechos de aproximação no fundo do vale de Chamonix são os que mais se ganha em pular, porque atravessam área urbanizada.

- **Transfer de vale em um trecho.** A descida do Val Ferret suíço costuma ser o candidato, por ser longa, contínua e sem colo.

- **Etapas fundidas.** Duas etapas curtas seguidas viram uma longa, o que retira uma noite sem retirar caminho.

O que não se corta, em nenhuma versão séria, são os dois colos de fronteira. O Col de la Seigne e o Grand Col Ferret são o que faz do TMB uma travessia de três países, e pular qualquer um dos dois transforma o circuito numa sequência de caminhadas na mesma região. Quando um programa encurta demais, é quase sempre aí que ele corta, e vale conferir antes de fechar.

O resultado é uma travessia que mantém todos os colos e todas as fronteiras, com menos dias de deslocamento improdutivo. Para a maioria das pessoas que trabalha e tem férias contadas, é o melhor uso do tempo disponível.

## A versão curta, de 5 dias

Aqui já se abre mão de parte do circuito, e vale saber disso antes. O recorte que funciona é o trecho franco-italiano, de Les Contamines até [Courmayeur](/courmayeur/), passando pelo Col de la Seigne.

É o pedaço em que o maciço aparece de frente e de perto, com a vertente italiana do Mont Blanc ocupando o horizonte inteiro por dois dias. Se a viagem só permite cinco dias de caminhada, é este o trecho a escolher, e o restante fica para uma segunda vez.

Existe um segundo recorte de cinco dias, menos comum e igualmente defensável: o trecho suíço, de Courmayeur a Trient, com o Grand Col Ferret no meio. Tem menos vista de geleira e mais variedade de paisagem, e costuma ser a escolha de quem já conheceu a vertente italiana em outra viagem.

O que se perde é a volta completa: a passagem à Suíça pelo Grand Col Ferret, o vale de Trient e a varanda de Chamonix com o Lac Blanc. Quem faz a versão curta conhece a montanha, mas não faz a travessia, e essas são coisas diferentes.

## O que faz uma etapa render menos do que o mapa diz

Quinze quilômetros no plano e quinze quilômetros com 1.200 metros de subida não são a mesma jornada, e é aí que o planejamento feito só por distância falha.

- **O desnível manda mais que a distância.** Uma regra prática usada há décadas soma cerca de uma hora a cada 300 a 400 metros de subida, além do tempo de caminhada no plano.

- **A altitude cobra nos colos.** Acima de 2.000 metros o ritmo cai mesmo em quem está bem treinado, e os dois colos de fronteira passam dos 2.500. O que esperar disso está em [mal da altitude nos Alpes](/mal-da-altitude/).

- **O peso da mochila.** Cada quilo extra aparece no fim do dia, não no começo. É a variável que mais gente subestima, e a lista que resolve está em [o que levar em um trekking](/o-que-levar-em-um-trekking/).

- **A fila nos colos em agosto.** Nos trechos estreitos de subida, no pico da temporada, o ritmo passa a ser o do grupo à frente.

Há ainda um efeito que só aparece a partir do terceiro dia: o corpo se adapta. Quem chega arrastado no segundo dia costuma andar melhor no quinto que no primeiro, desde que a carga e o sono estejam em ordem. É por isso que uma travessia de oito dias não é oito vezes mais difícil que uma caminhada de um dia, e é também por isso que as versões muito curtas parecem mais duras do que são.

O preparo específico é o que mais muda essa conta, e ele não é desempenho atlético: é acostumar o corpo a dias seguidos de subida com carga. O plano está em [treino para trekking](/treino-para-trekking/).

Falta uma variável que não é de calendário nem de preparo: a janela da temporada. O circuito só existe de meados de junho a meados de setembro, e dentro disso o mês escolhido muda o movimento e o risco, como está em [a melhor época para fazer](/tour-du-mont-blanc-melhor-epoca/).

## Os dias que ninguém conta

Os 11 dias são de caminhada. A viagem é sempre maior que isso, e é aqui que o cálculo das férias costuma estourar.

- **O dia zero.** Chegada a [Chamonix](/chamonix/), briefing, conferência de equipamento e uma noite de sono antes de sair. Não é opcional.

- **O deslocamento.** Do Brasil, são normalmente dois dias entre voo e traslado até o vale, contando a perda de um dia no ar.

- **A margem para mau tempo.** Um dia de folga na viagem inteira é o mínimo razoável. Sem ele, um dia de tempestade vira decisão ruim tomada com pressa.

- **O dia de depois.** Terminar a travessia e pegar um voo no mesmo dia funciona no papel e raramente na prática.

Somando, o circuito completo pede algo em torno de 15 a 16 dias de viagem, e a versão de 7 a 8 dias cabe confortavelmente em duas semanas. É esse o número que interessa na hora de pedir férias.

## Qual formato é o seu

**O circuito completo em 11 etapas** é para quem tem duas semanas e meia e quer a travessia inteira, sem trecho motorizado. É a experiência mais completa e a que exige mais preparo, porque não há dia leve para se recuperar.

**A versão de 7 a 8 dias** é para quem tem duas semanas e quer o circuito inteiro mesmo assim. É a escolha da maioria, e a que melhor equilibra o que se vê e o que se gasta de tempo.

**A versão de 5 dias** é para quem tem uma semana ou quer conhecer a região antes de se comprometer com a volta completa. É travessia de verdade, num trecho só.

Qualquer que seja o formato, a corrente de refúgios é o que decide se ele cabe nas suas datas, e como ela funciona está em [os refúgios do TMB](/refugios-tour-du-mont-blanc/).

Se a dúvida ainda for entre caminhar por conta ou com a logística montada, o recorte dessa decisão está em [autoguiado ou guiado](/autoguiado-x-guiado/).

## Como a Mountain Hut monta a travessia

Nossa travessia do TMB são **10 dias e 9 noites**, de Les Houches a Les Houches, no circuito completo pelos três países. Resolvemos a corrente de reservas dos refúgios, o transporte da bagagem principal entre as etapas e o briefing de saída com roadbook, mapas e tracks. Você caminha no seu ritmo e as decisões em rota continuam suas.

As datas e o detalhamento dia a dia estão em [o nosso Tour du Mont Blanc](/roteiros/tour-du-mont-blanc/), e a comparação com a outra travessia que operamos está em [roteiros do Mountain Hut](/roteiros/).

## Perguntas frequentes

### Quantos dias leva o Tour du Mont Blanc completo?

O circuito completo leva 11 dias de caminhada, saindo de Les Houches e voltando a Les Houches pela volta inteira ao maciço, por França, Itália e Suíça. São cerca de 170 quilômetros e algo perto de 10.000 metros de subida acumulada. Contando deslocamento, dia de chegada e uma margem para mau tempo, a viagem inteira pede de 15 a 16 dias.

### Dá para fazer o Tour du Mont Blanc em uma semana?

Dá, e é o formato mais comum nos programas comerciais. A versão de 7 a 8 dias percorre o circuito inteiro e mantém todos os colos, retirando trechos de aproximação no fundo do vale com teleférico, um transfer de vale e fundindo duas etapas curtas. Cabe confortavelmente em duas semanas de viagem.

### Qual é a etapa mais difícil do Tour du Mont Blanc?

Não há uma etapa isolada que defina a dificuldade: o que pesa é a repetição. Quase todas passam de 12 quilômetros e pedem mais de 800 metros de subida, e não existe dia leve para se recuperar no meio. As que mais cobram costumam ser a do Col du Bonhomme e a passagem para o vale de Trient pela variante alta da Fenêtre d’Arpette.

### Quantos quilômetros tem o Tour du Mont Blanc?

Cerca de 170 quilômetros no circuito completo, com algo perto de 10.000 metros de subida acumulada. Os números variam de guia para guia porque cada fonte mede a partir de pontos ligeiramente diferentes e porque existem variantes altas e baixas em vários trechos, então vale tratá-los como ordem de grandeza.

### Quantos dias de folga preciso reservar além da travessia?

Quatro, no mínimo razoável. Um dia zero em Chamonix para chegada e briefing, dois dias de deslocamento saindo do Brasil contando a perda de um dia no ar, e um dia de margem para mau tempo. Terminar a travessia e pegar o voo no mesmo dia funciona no papel e raramente na prática.

### Dá para fazer só uma parte do Tour du Mont Blanc?

Dá. O recorte de cinco dias que mais rende é o trecho franco-italiano, de Les Contamines a Courmayeur pelo Col de la Seigne, onde o maciço aparece de frente por dois dias inteiros. Existe um segundo recorte, o trecho suíço de Courmayeur a Trient pelo Grand Col Ferret, com menos geleira e mais variedade de paisagem.

### Qual formato escolher para uma primeira travessia?

A versão de 7 a 8 dias, na maioria dos casos. Ela mantém o circuito inteiro e as duas fronteiras, cabe em duas semanas de viagem e retira justamente os trechos que rendem pouco em paisagem e muito em cansaço. O circuito completo em 11 etapas exige mais preparo, porque não tem dia leve para recuperação.

### O que não pode ser cortado numa versão encurtada?

Os dois colos de fronteira, o Col de la Seigne a 2.516 metros e o Grand Col Ferret a 2.537. São eles que fazem do TMB uma travessia de três países; sem qualquer um dos dois, o circuito vira uma sequência de caminhadas na mesma região. Quando um programa encurta demais, é quase sempre aí que ele corta.

### A travessia fica mais fácil com o passar dos dias?

Costuma ficar, a partir do terceiro dia, desde que carga e sono estejam em ordem. Quem chega arrastado no segundo dia frequentemente anda melhor no quinto que no primeiro, porque o corpo se adapta ao esforço repetido. É por isso que as versões muito curtas parecem mais duras do que de fato são.

### Por que duas etapas com a mesma distância levam tempos diferentes?

Porque o desnível manda mais que a distância. Uma regra prática usada há décadas soma cerca de uma hora a cada 300 a 400 metros de subida, além do tempo de caminhada no plano. Somam-se ainda a altitude nos colos acima de 2.000 metros, o peso da mochila e, em agosto, a fila nos trechos estreitos de subida.
