Tour du Mont Blanc · 9 min de leitura

Chamonix: o que fazer no vale e por que ela é a base do Tour du Mont Blanc

Onde fica Chamonix, como chegar de Genebra, o que subir no vale do Mont Blanc, quantos dias ficar e por que ela é o ponto de partida de uma travessia de dez dias.

Chamonix: o que fazer no vale e por que ela é a base do Tour du Mont Blanc. Capa sobre foto do maciço do Mont Blanc visto do vale, com 1.035 m na cidade, 3.842 m na Aiguille du Midi, 90 km de Genebra e 170 km de circuito

Chamonix, ou Chamonix-Mont-Blanc, é uma cidade de montanha no sudeste da França, na Alta Saboia, a cerca de 1.035 metros de altitude e a poucos quilômetros da fronteira com a Itália e a Suíça. Ela fica no fundo de um vale cercado pelo maciço do Mont Blanc, o teto dos Alpes, com quase 4.800 metros. É onde nasceu o alpinismo moderno, no fim do século XVIII, e onde aconteceram os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno, em 1924.

Para quem vai caminhar, Chamonix é mais do que um destino: é a base do Tour du Mont Blanc, a travessia de 170 km que dá a volta no maciço passando por França, Itália e Suíça. Este guia cobre as duas coisas: o que fazer na cidade e no vale, e como usar Chamonix como ponto de partida de uma travessia de dez dias.


Gráfico das altitudes de Chamonix e dos seus miradouros, do fundo do vale a 1.035 metros ao topo da Aiguille du Midi a 3.842 metros

Onde fica e como chegar

O aeroporto mais prático é Genebra, na Suíça, a cerca de 90 km, com traslado rodoviário de aproximadamente uma hora e quinze. Há serviços compartilhados e privativos saindo direto do terminal, além de ônibus regulares. É o caminho que a maioria de quem vem do Brasil faz, normalmente com uma conexão europeia.

Outras portas de entrada: Lyon e Milão, ambas viáveis de trem mais ônibus ou de carro, sendo que de Milão e Turim se chega pelo túnel do Mont Blanc, saindo em Courmayeur, do lado italiano do maciço. Dentro do vale, uma linha de ônibus e o trem local ligam Les Houches, Chamonix, Argentière e Le Tour, e a hospedagem no vale normalmente dá direito ao passe de transporte, o que dispensa carro.

O que fazer em Chamonix

O vale foi construído em torno de teleféricos que levam o visitante a altitudes que, em qualquer outro lugar, exigiriam dias de escalada. É isso que torna Chamonix acessível a quem não é alpinista.

  • Aiguille du Midi (3.842 m): o teleférico sai do centro de Chamonix e sobe quase 2.800 metros até uma agulha de granito com terraço panorâmico sobre o Mont Blanc e a face norte das Grandes Jorasses. É a atração mais visitada do vale, e o ar rarefeito se sente na hora. Vá no primeiro horário: nuvem de tarde é comum e o teto costuma fechar.
  • Mer de Glace: o trem cremalheira de Montenvers sobe até o mirante da maior geleira da França. A caminhada e as escadas até o gelo mostram, com marcações no paredão, o quanto a geleira recuou nas últimas décadas. É a visita mais educativa do vale.
  • Brévent e Flégère: na vertente oposta ao maciço, são os miradouros de quem quer ver o Mont Blanc de frente, e não de dentro. O Brévent passa dos 2.500 metros. A travessia entre os dois, pelo caminho de altitude, é uma das melhores caminhadas de meio dia da região.
  • Lac Blanc (2.352 m): a caminhada mais fotografada do vale, um lago de altitude que reflete a cordilheira inteira, na reserva natural das Aiguilles Rouges. Sobe-se pela Flégère e, no fim do verão, dá para almoçar no refúgio à beira do lago.
  • Tramway du Mont-Blanc: saindo de Saint-Gervais e Les Houches, o trenzinho histórico sobe até o Nid d’Aigle, a cerca de 2.370 metros, na rota de subida ao cume do Mont Blanc.
  • A cidade: Chamonix tem centro pedonal, cafés, o rio Arve cortando o casario e uma concentração de lojas de equipamento de montanha difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo. É onde você resolve o que faltou na mochila.

Quantos dias ficar e quando ir

Para conhecer o vale sem correr, três a quatro dias bastam: um para a Aiguille du Midi, um para a Mer de Glace e a cidade, e um ou dois para caminhar do lado das Aiguilles Rouges. Se Chamonix é a base de uma travessia, some pelo menos um dia antes do início da caminhada.

A temporada de caminhada vai de meados de junho a meados de setembro, com julho e agosto no auge do movimento e da estabilidade do tempo, e setembro entregando trilha vazia e luz melhor, com refúgios começando a fechar no fim do mês. De dezembro a abril, Chamonix é uma estação de esqui de nível mundial, com as trilhas de altitude inacessíveis. Fora dessas duas janelas, boa parte dos teleféricos para para manutenção.

Uma data para marcar no calendário e evitar: no fim de agosto, o vale recebe a ultramaratona do Mont Blanc, com milhares de corredores dando a volta no maciço pela mesma trilha. A hospedagem em Chamonix e nos refúgios do circuito fica escassa e cara, e a trilha, cheia. É a pior semana do ano para começar uma travessia.

Por que Chamonix é a base do Tour du Mont Blanc

O Tour du Mont Blanc é um circuito de cerca de 170 km e 10.000 metros de subida acumulada que contorna o maciço passando por três países. Chamonix não é o ponto de partida técnico da trilha, e vale entender a diferença: o circuito clássico começa e termina em Les Houches, um vilarejo a poucos quilômetros de Chamonix, no mesmo vale e ligado por ônibus.

Chamonix é a base logística porque é onde tudo converge. É o lugar com acesso direto de Genebra, hospedagem em qualquer faixa, lojas para o ajuste final de equipamento, farmácia, banco e informação de montanha atualizada. Na nossa travessia, o dia zero é a chegada a Chamonix e o briefing de saída, com roadbook, mapas e tracks de GPS, e no dia seguinte um ônibus leva a Les Houches, de onde o teleférico de Bellevue começa a caminhada rumo ao Col du Tricot, sob a geleira de Bionnassay.

Há três razões práticas para chegar com um dia de folga antes de sair na trilha:

  • Fuso e cansaço: depois de doze horas de voo mais conexão, um dia de subida de 650 metros não combina com uma noite mal dormida em avião.
  • Bagagem: mala extraviada é o problema mais comum de quem vem de longe, e um dia de margem é o que salva a travessia inteira.
  • Ajuste de equipamento: a capa de chuva que ficou em casa, o bastão que não caberia na bagagem de mão e o gás do fogareiro, que não voa, se resolvem em Chamonix numa manhã.

Vale saber também que o TMB não se despede de Chamonix no primeiro dia. O circuito volta ao vale no fim, pelo Col de Balme, na fronteira suíça, e o último dia atravessa a reserva das Aiguilles Rouges, passando pelo Lac Blanc, La Flégère e o Brévent antes da descida a Les Houches. Ou seja: os miradouros que o turista sobe de teleférico são o grande final de quem caminha.

Chamonix não é a única base alpina

Se a sua dúvida ainda é o destino, e não a cidade, vale comparar antes de fechar. Chamonix e o Mont Blanc são geleira, vale glacial e a atmosfera de capital do alpinismo. Do outro lado dos Alpes, as Dolomitas italianas oferecem uma montanha completamente diferente, de torres e paredes verticais de calcário, com a Alta Via 1 atravessando o maciço de norte a sul. São duas viagens distintas, não duas versões da mesma.

Como o Mountain Hut organiza a sua travessia a partir de Chamonix

Nosso Tour du Mont Blanc são 10 dias e 9 noites, de Les Houches a Les Houches, com o briefing de saída em Chamonix no dia zero. Está incluso o transporte de bagagem entre as etapas, o que mantém a mochila do dia leve, além do ônibus até Les Houches e do teleférico de Bellevue no primeiro dia.

E o essencial: a travessia é auto guiada. Você caminha no seu ritmo, e as decisões em rota são suas. Resolvemos a cadeia de hospedagem e a logística, que é a parte que trava a maioria das pessoas.

Se essa é a travessia que você quer fazer, veja as datas e os detalhes em roteiros do Mountain Hut.

Perguntas frequentes

Onde fica Chamonix?

No sudeste da França, na Alta Saboia, a cerca de 1.035 metros de altitude, no fundo de um vale cercado pelo maciço do Mont Blanc e a poucos quilômetros das fronteiras com a Itália e a Suíça. É onde nasceu o alpinismo moderno e onde aconteceram os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno, em 1924.

Como chegar a Chamonix?

O aeroporto mais prático é Genebra, na Suíça, a cerca de 90 km, com traslado rodoviário de aproximadamente uma hora e quinze, em serviço compartilhado, privativo ou ônibus regular. Lyon e Milão também servem, e de Milão e Turim se chega pelo túnel do Mont Blanc, saindo em Courmayeur.

O que fazer em Chamonix?

O teleférico da Aiguille du Midi, a 3.842 metros, o trem de Montenvers até o mirante da geleira Mer de Glace, os miradouros do Brévent e da Flégère na vertente oposta ao maciço, a caminhada ao Lac Blanc a 2.352 metros e o Tramway du Mont-Blanc até o Nid d’Aigle. A cidade tem centro pedonal e a maior concentração de lojas de montanha dos Alpes.

Quantos dias ficar em Chamonix?

Três a quatro dias dão conta do vale sem correr: um para a Aiguille du Midi, um para a Mer de Glace e a cidade, e um ou dois para caminhar do lado das Aiguilles Rouges. Se Chamonix é a base de uma travessia, some pelo menos um dia antes do início da caminhada.

O Tour du Mont Blanc começa em Chamonix?

Não exatamente. O circuito clássico começa e termina em Les Houches, um vilarejo no mesmo vale, a poucos quilômetros e ligado por ônibus. Chamonix é a base logística, por concentrar acesso de Genebra, hospedagem, lojas de equipamento e informação de montanha, e é onde acontece o briefing de saída.

Qual a melhor época para ir a Chamonix?

Para caminhar, de meados de junho a meados de setembro. De dezembro a abril, o vale é uma estação de esqui, com as trilhas de altitude inacessíveis. Evite a última semana de agosto, quando a ultramaratona do Mont Blanc toma a trilha e esgota a hospedagem no vale e nos refúgios do circuito.

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